A próstata é uma glândula do sistema genital masculino que está localizada abaixo da bexiga e a frente do reto. Ela envolve a uretra e é responsável pela produção de parte do sêmen. A próstata começa a crescer ainda no feto, estimulada pelos hormônios masculino e continua a se desenvolver até a fase adulta. O tamanho da próstata varia com a idade. Em homens mais jovens tem aproximadamente o tamanho de uma noz, mas pode ser muito maior em homens mais velhos.
O que é o câncer de próstata?
O câncer da próstata é um tumor maligno na próstata. Há diversos estádios e o seu tratamento e evolução vão depender das características específicas do tumor e da experiência da sua equipa médica. Deverá discutir com o seu médico a melhor opção para a sua situação individual.
A maioria dos cânceres da próstata desenvolvem-se lentamente e não causam sintomas. O câncer da próstata de crescimento rápido é menos comum. O risco de câncer da próstata aumenta com a idade. A idade média para o diagnóstico é de 69 anos.
Devido aos avanços dos métodos de diagnóstico e ao aumento da expectativa de vida, hoje detectam-se mais casos de câncer da próstata. Esse tumor é o câncer mais comum dos homens idosos no Brasil. A taxa de sobrevivência para o câncer da próstata na Europa é relativamente alta, e ainda está subindo.
Quais são os estádios da doença?
Há diferentes estádios de câncer da próstata. Se o tumor estiver limitado à próstata e não se propagou, é chamado de câncer da próstata localizado. No câncer da próstata localmente avançado, o tumor alastrou para fora da próstata para os tecidos vizinhos como as vesículas seminais, o colo vesical ou os gânglios linfáticos em volta da próstata. Os médicos referem-se a doença metastática se o câncer alastrou para os gânglios linfáticos distantes ou para outros órgãos.

Fatores de Risco
- Idade: é o principal fator de risco. A medida que o homem envelhece o risco aumenta. A maioria dos homens que desenvolvem o câncer de próstata tem mais de 50 anos e dois terços mais de 65 anos.
- Alimentação: Dieta rica em gordura, particularmente de origem animal, com alto teor de cálcio, pode aumentar o risco.
- Inflamação na próstata: pesquisas sugerem que essa condição pode ter influência no desenvolvimento do câncer de próstata. As doenças sexualmente transmissíveis (DSTs) também estão sendo investigadas como possíveis fatores de risco.
- Histórico Familiar: quando parentes próximos, especialmente pai, irmão, avós, tios ou filhos têm ou tiveram câncer de próstata, o risco de desenvolvimento é maior.
- Este tipo de câncer é mais frequente em homens afrodescendentes, e menos frequente em homens de ascendência asiática. Ainda não se sabe por que existem estas diferenças. Ingerir mais carne e laticínios pode aumentar o risco de câncer da próstata, mas isso ainda está sendo investigado.
Sintomas
Na fase inicial, o câncer da próstata tem evolução silenciosa e não costuma apresentar sintomas ou, quando apresenta, podem indicar crescimento benigno da próstata uma doença que tem sintomas semelhantes.
Ao perceber alguns dos sintomas por mais de duas semanas é importante procurar um médico para fazer uma avaliação:
- Dor ou ardência ao urinar
- Dificuldade para urinar ou para conter a urina
- Fluxo de urina fraco ou interrompido
- Necessidade frequente ou urgente de urinar
- Dificuldade de esvaziar completamente a bexiga
- Sangue na urina ou no sêmen
- Dor contínua na região lombar, pelve, quadris ou coxas
- Dificuldade em ter ereção
Diagnósticos
O diagnóstico precoce aumenta consideravelmente as chances de sucesso do tratamento do câncer de próstata. Por isso, a partir dos 50 anos, se não há nenhum caso de câncer de próstata na família, deve-se iniciar os exames anuais de rastreamento. Caso haja casos na família, esse acompanhamento deve acontecer a partir dos 45 anos.
Câncer da próstata localizado
Câncer da próstata localizado é quando o tumor está limitado à próstata, e não alastrou para outras partes do corpo. Pode ser um tumor T1 ou T2, dependendo das dimensões e da localização na próstata.
T1 significa que o tumor é demasiado pequeno para ser palpado no toque retal (TR) ou em exames comuns de imagem. Os tumores T1 são confirmados por biópsia e classificados com a, b, ou c, dependendo da análise do patologista.
Um tumor T2 significa que pode ser palpado durante o TR, mas ainda está limitado à próstata. O seu médico vai também classificá-lo como a, b, ou c, dependendo das dimensões e se envolve ou não um ou mais lobos da próstata.
Opções para diagnóstico
É um exame simples, rápido e indolor, com poucos segundos de duração. Ele permite, combinado com outros exames, identificar o câncer de próstata. O médico insere suavemente o dedo no reto do paciente, protegido por uma luva lubrificada, para avaliar tamanho, forma e textura e se existe alguma anormalidade na próstata, como um nódulo por exemplo. O exame de toque pode identificar o câncer mesmo com nível normal de PSA.
O antígeno específico da próstata (PSA) é uma proteína produzida pelas células da próstata. É encontrado principalmente no sêmen, mas uma pequena quantidade também está no sangue. Um exame de sangue simples mede a quantidade de PSA em circulação no sangue. Um nível mais alto de PSA geralmente indica chance maior de ter câncer de próstata, mas também pode estar relacionado a outras doenças. Por isso, é fundamental combinar os exames para um diagnóstico preciso. O exame de PSA também pode ser utilizado para identificar se existe metástase (disseminação do câncer além da próstata), avaliar a eficácia do tratamento aplicado, para a vigilância ativa para acompanhar se o câncer está crescendo.
Se o médico suspeitar de câncer de próstata após a realização dos exames, uma biópsia deve ser realizada. Esta é a única maneira de confirmar com precisão o câncer. Para realizar a biópsia é aplicada anestesia, o que torna o procedimento mais confortável. Uma pequena sonda de ultrassom com um dispositivo de imagem é inserida no reto com o objetivo de observar a próstata em uma tela de vídeo. Usando esta imagem como guia, o médico introduz uma agulha fina pela parede do reto na próstata e remove pequenas amostras de tecido.

Tratamento
O primeiro passo é escolher um médico especializado na doença, com experiência em casos simples e complexos para definir com base em todos esses fatores e em evidências científicas o melhor tratamento, específico para cada caso.
O tratamento mais indicado vai depender:
- Das características do tumor
- Da sua história clínica
- Da sua idade
- Dos tratamentos disponíveis no seu hospital
- Das suas preferências pessoais
- Da rede de apoio disponível para si
Tipos de tratamentos:
Ultrassom focalizado de alta frequência
Também chamado de termoablação, a técnica, por meio de ondas de calor, destrói as células cancerosas. Com o HIFU, evita-se a cirurgia e eventuais sangramentos, pois o procedimento é livre de radiações e incisões. Mirando exclusivamente no tumor não há comprometimento de outras regiões, o que diminui complicações como impotência ou incontinência urinária.
O procedimento é muito rápido (em geral, menos de uma hora) e o paciente geralmente recebe alta em 24 horas.
Vigilância ativa/ Abordagem conservadora
A abordagem conservadora é o tipo de tratamento em que a progressão da sua doença é cuidadosamente monitorizada. No câncer da próstata, tal poderá consistir em vigilância ativa ou espera vigilante.
Na vigilância ativa, o médico monitoriza o tumor e o crescimento deste, através de um rigoroso calendário de consultas. Em cada uma das consultas, são realizados diversos exames, incluindo a medição do nível de antígeno específico da próstata (PSA) no seu sangue. O objetivo é passar para outras opções de tratamento se surgirem sinais de que a doença está a progredir. A vigilância ativa é um protocolo de tratamento indicado para o câncer da próstata localizado com baixo grau de Gleason. Se tiver câncer da próstata localmente avançado, serão recomendadas outros protocolos de tratamento.
A espera vigilante é uma forma de tratamento guiado pelos sintomas. O objetivo é passar para outras opções de tratamento apenas quando surgirem sintomas. O seu médico pode recomendar-lhe observação atenta se as outras opções de tratamento não forem as mais indicadas para a sua situação individual.
Cerca de um terço dos pacientes com câncer de próstata requerem essa terapia. Ela bloqueia a produção de testosterona ou a interação da testosterona com as células tumorais, reduzindo o tamanho do tumor ou retardando o seu crescimento. Embora possa ajudar a controlar o câncer de próstata, ela não é curativa.
Hormonoterapia
A hormonoterapia pode ser usada para tratar o câncer de próstata se:
- a cirurgia ou radioterapia não for indicada
- for câncer metastático ou recidivado (voltou após o tratamento)
- tiver câncer com alto risco de recidiva após a radioterapia
- houver necessidade de reduzir o câncer antes da cirurgia ou da radioterapia para aumentar a chance de sucesso no tratamento
Os tipos de hormonoterapia para câncer de próstata são: Antiandrogênicos, Agonistas de LHRH, Orquiectomia.
Os efeitos colaterais podem incluir: impotência, incapacidade de obter ou manter uma ereção, perda de libido (desejo sexual), ondas de calor, crescimento do tecido mamário e sensibilidade das mamas, perda de massa muscular, fraqueza, diminuição da massa óssea (osteoporose), testículos encolhidos, depressão, perda de autoestima, agressividade, alerta e funções cognitivas superiores, como priorização ou racionalização, anemia, ganho de peso, fadiga, níveis mais altos de colesterol, aumento do risco de ataques cardíacos, diabetes e hipertensão arterial (hipertensão)
Prostatectomia radical
A prostatectomia radical é o tratamento cirúrgico em que toda a próstata e as vesículas seminais são removidas.
Como é realizada a prostatectomia radical?
A prostatectomia radical pode ser realizada por via aberta ou laparoscópica. Na cirurgia aberta, o cirurgião corta a parede abdominal ou o períneo para aceder diretamente à próstata. A próstata e as vesículas seminais são removidas, sendo bexiga e a uretra ligadas. O médico introduz um cateter para ajudar a cicatrizar a uretra e a bexiga. Geralmente, o cateter é removido 7 dias depois.
Na cirurgia laparoscópica, o cirurgião introduz pequenos tubos de plástico no seu abdómen. Através desses tubos, o cirurgião pode inserir os instrumentos necessários para remover a próstata. Um desses tubos é utilizado para introduzir uma câmara que permite ao cirurgião ver no ecrã uma imagem de elevada qualidade da sua próstata. A cirurgia laparoscópica pode ainda ser realizada com a ajuda de um sistema de cirurgia robótica.
Para a remoção de um tumor da próstata localizado com prostatectomia radical, as cirurgias aberta e laparoscópica parecem ser igualmente eficazes.
Radioterapia
A radioterapia também é frequentemente usada para tratar o câncer de próstata que está contido na próstata ou na área circundante. Os tipos são:
- Radioterapia com modulação de intensidade (IMRT): radiação externa adaptada à forma específica do tumor, evitando atingir os órgãos normais circundantes.
- Braquiterapia: radiação interna com a colocação de pequenas sementes radioativas, do tamanho de um grão de arroz, na próstata.
Crioterapia
O tumor é congelado por meio da introdução de uma sonda que mata as células do câncer. Esse tratamento é usado em casos em que a doença está restrita à próstata e não se espalhou. É pouco disponível na América Latina.
Protonterapia
Fornece altas doses de radiação diretamente no tumor, poupando tecidos saudáveis próximos e órgãos vitais. Para muitos pacientes, isso resulta em melhor controle do câncer com menos efeitos colaterais.

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